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Do fogo ao smartphone, os limites que os pais foram colocando aos filhos

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Este é um exercício de imaginação com base nos tempos atuais e no que conhecemos da história humana. O seu responsável? O diretor de pesquisa de inteligência artificial do Facebook.

Yann LeCun é um francês de 58 anos, nascido nos subúrbios de Paris em 1960 e que se tornou desde os anos 1980 numa autoridade em ciência da computação e nos algoritmos que aprendem sozinhos, integrados em redes neuronais (machine learning). Depois de passagens pela AT&T e pela Universidade de Nova Iorque – onde foi investigador-chefe em ciência de dados -, desde 2013 que é o diretor de inteligência artificial do Facebook.

No final de março, LeCun foi eleito um dos pais da inteligência artificial (IA) como a conhecemos hoje, ao receber o prestigiado prémio Turing, conhecido como o Nobel da computação, em conjunto com outros dois investigadores, Yoshua Bengio e Geoffrey Hinton.

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Neste contexto, LeCun, inspirando-se num artigo da New Yorker que imagina como os nossos antepassados teriam de gerir o tempo que os seus filhos usavam algo tão apelativo como o fogo, fez na sua página de Facebook um exercício de quais seriam as atividades infantis às quais os pais colocaram limites de tempo ao longo dos tempos.

Antes disso, podemos ver o início do artigo da New Yorker para perceber o contexto do exercício de LeCun:

“De acordo com os desenhos das cavernas mais recentes, as crianças hoje em dia estão a usar o fogo mais do que nunca. E não é de admirar: o fogo tem muitas aplicações maravilhosas, como cozinhar carne, aquecer a casa e afastar os animais selvagens durante a noite. Nós, adultos Homo erectus, com os nossos cérebros aumentados e experiência com o fogo, conseguimos moderar a utilização do fogo, mas os nossos filhos podem ter dificuldade em monitorizar as suas interações com o fogo”.

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Voltanto a LeCun, escreve o especialista (num post que conta com um ‘Gosto’ de Mark Zuckerberg):

Que atividades infantis levaram os pais a colocarem limites de tempo ao longo dos anos:

2019: telefone / tablet / tempo de ecrã
2015: rede social / tempo de mensagens instantâneas
2010: tempo de uso de consolas de jogos
2000: tempo de navegação na internet
1995: horas no computador
1980: horas ao telefone
1975: tempo a ver TV
1970: tempo de leitura em banda desenhada
1960: tempo a ouvir música rock / tempo a dançar 
1950: tempo a ouvir jazz
1940: tempo a assistir a filmes
1930: tempo de audição da rádio
1910: tempo de leitura compulsiva
1800: tempo a fazer investigação científica
1700: tempo usado em engenharia mecânica
1600: tempo a pensar em arquitetura
1500: tempo de pintura
1400: tempo de leitura
1300: tempo a tocar música
1200: tempo a pensar em astronomia
-500: tempo a filosofar
-1000: tempo a fabricar ferro
-2500: tempo a escrever
-3000: tempo a fazer bronze 
-3500: tempo a esculpir menires
-4000: tempo a montar cavalo
-8000: tempo a polir pedra
-10.000: tempo em agricultura
-15.000: tempo a usar arco e flecha
-20.000: tempo a pintar cavernas
-50.000: tempo a construir habitações
-200.000: tempo a fazer roupa
-300.000: tempo a conversar
-1,5M: tempo a brincar com o fogo
-3.5M: tempo a cortar pedra
-7M: tempo de caminhada na vertical

Numa época onde vivemos colados aos computador de bolso a que chamamos smartphone, o exercício do especialista francês pretende mostrar como já vivemos obcecados noutros tempos com outras tecnologias ou funcionalidades.

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