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O smartphone nunca mais será o mesmo: ecrãs dobráveis, gestos e 5G

Foto: REUTERS/Jason Lee

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No Mobile World Congress (MWC) vimos smartphones dobráveis convincentes, carros elétricos partilháveis e aparelhos prontos para o 5G. A mudança está em curso.

Foi a 9 de janeiro de 2007 que Steve Jobs anunciou ao mundo o primeiro telefone da Apple, o iPhone (na altura com ecrã de 3,5 polegadas – hoje há modelos com 6,5). Doze anos depois o formato dos famosos smartphones tem mudado pouco, até agora. A Insider / Dinheiro Vivo esteve no Mobile World Congress, em Barcelona, onde duas grandes tendências marcaram a maior feira mundial de aparelhos e redes móveis: os ecrãs dobráveis (onde a Huawei foi quem mais brilhou) e o 5G (com LG, Samsung, Huawei, XiaomiZTEOppo a terem modelos com essa capacidade).

A primeira promete mudar a forma como interagimos e nos relacionamos com o nosso smartphone, o aparelho que nos EUA e Europa já é usado numa média diária que ronda as 3h30 pelos adultos. A segunda promete mudar a velocidade com que obtemos conteúdos e a forma como os aparelhos se ligam uns aos outros, sem latência e com confiança máxima, mas que ainda vai demorar até ser a regra (leia mais abaixo sobre o tema).

Outra das caraterísticas da feira foi a presença esmagadora de marcas asiáticas, mas com preponderância clara de empresas chinesas não só em anúncios de novos modelos, mas também no tamanho dos stands. Não é de admirar, a Huawei ultrapassou em 2018 a Apple como a segunda empresa com mais vendas de smartphones a nível mundial, só atrás (embora cada vez mais perto) da Samsung. Na verdade, a marca chinesa que ainda não conseguiu entrar nos EUA (nem o deve conseguir), ao contrário da Samsung, de acordo com dados do IDC, foi, em 2018 e pela primeira vez, a marca que mais smartphones vendeu em Portugal (bateu a Samsung, líder nos sete anos anteriores).

Huawei dobra o Mate X

Poucos dias depois da Samsung ter apresentado o seu primeiro smartphone dobrável, o Fold, que chega no final de abril (Portugal não está incluído) e custa dois mil euros, a Huawei lançou no MWC o seu modelo dobrável, o Mate X, já preparado para 5G, com um ecrã no formato tablet maior, 8 polegadas (contra 7,2 do Fold) e um conceito diferente de abertura, já que no modo fechado o ecrã fica para fora (no caso da Samsung o ecrã maior fica para dentro.

O preço? Uns incríveis 2299 euros, com chegada para junho ou julho (em Portugal mais para o final do ano). Foi possível ver o modelo, mas não tocar no evento de apresentação da Huawei. Mas, ao contrário da Samsung, que não deixou ainda ninguém fora da empresa experimentar o novo modelo (no MWC estava dentro de uma redoma de vidro), a Huawei deixou os jornalistas passarem alguns minutos com o Mate X. Nós fomos dos primeiros a conseguir fazê-lo e ficámos surpreendidos por quão leve e fino o modelo, mesmo no formato fechado, consegue ser. O ecrã aberto é impressionante, num trabalho de engenharia notável da empresa que gasta 5 mil milhões de dólares em inovação por ano.

Fino, inovador e… dobrável. Primeiras impressões do Huawei Mate X

Richard Yu, o CEO da Huawei para bens de consumo, disse ao Dinheiro Vivo na altura em que pudemos experimentar e tocar no novo modelo Mate X, que a marca espera vender a nível mundial 1 milhão deste modelo. “O preço ainda é um obstáculo e queremos reduzir no próximo ano, mas é tecnologia complexa, especialmente na zona da dobradiça”.

O responsável admite que a empresa esteve a trabalhar no modelo durante três anos e gastou mil milhões de dólares no seu desenvolvimento. No entanto, admite que a investigação vai permitir lançar no futuro novos modelos dobráveis com outro tipo de conceitos. “Estamos na frente no que diz respeito a uma nova forma de interagirmos com o smartphone, as possibilidades desta tecnologia são ilimitadas”.

Na feira foi possível ver outro modelo dobrável, da chinesa Royole, mas ainda num estado pouco convincente, e protótipos de ecrãs dobráveis da LGTLC e dachinesa Nubia, que apresentou um smartphone wearable (é mais um smartwatch) com ecrã dobrável que ronda os 500 euros, o Alpha.

LG: duplo ecrã e gestos

As marcas que não conseguiram apresentar ecrãs dobráveis, mostraram outro tipo de conceitos, como os ecrãs duplos. A LG apostou forte no seu V50 ThinQ 5G, que tem uma espécie de capa que inclui um segundo ecrã e transforma o modelo num dual screen. O mesmo fez a Hisense e a Nubia, com opções diferentes. No caso do A6 da Hisense usa a parte de trás de um smartphone normal para incluir um peculiar ecrã eInk, ao estilo Kindle, com duração de bateria até 12 dias (usando só esse ecrã).

LG tenta inovar com 5G, ecrã duplo e controlo por gestos à distância

LG também apostou forte nos gestos com o smartphone sem tocar no ecrã, uma opção do novo G8 da marca que permite desbloquear o telefone só com o aproximar da palma da mão e ativar apps como os Mapas ou a música com o rodar da mão, a 10 cm do modelo.

Micromobilidade

A Seat apresentou no MWC o seu novo conceito para a mobilidade nas cidades, o Minimó: um veículo com quatro rodas, parecido com uma mota, totalmente elétrico (com sistema de troca de baterias) e preparado para se tornar autónomo. O objetivo? Servir empresas de mobilidade, com a possibilidade de ter este tipo de veículos a operar 24 horas por dia e reduzir o custo das viagens em 50%. O presidente da Seat, Luca de Meo, explicou ainda que a marca vai liderar a micro mobilidade no grupo Volkswagen e tem várias parcerias para implementar soluções e tecnologia 5G em curso.

Seat Minimó: um micro elétrico para revolucionar a mobilidade partilhada

Portáteis no ecossistema

Os, hoje, bem menos mediáticos portáteis também marcaram presença. A Lenovo renovou a sua linha de consumo e profissional incluindo conectividade LTE-A Wireless Wan e novas funcionalidades de segurança. Já a Huawei quer destronar a Apple com a sua linha de portáteis MateBook, ultrafinos, com preço acima dos mil euros e uma nova “experiência inteligente” – basta colocar o smartphone em cima do portátil e partilha-se de forma direta conteúdos entre os dois aparelhos, incluindo texto copiado no telefone. “Queremos incluir o portátil num ecossistema fiável e imediato”, explicou Richard Yu.

* A Insider / Dinheiro Vivo viajou a convite da Huawei e da Lenovo

Portáteis, headphones e edge computing. Porque no MWC não há só smartphones